domingo, 31 de janeiro de 2010

Diário de Fim-de-semana

Fim-de-semana em seis actos:

Acto I
Alterno entre sms pessoais e telefonemas de trabalho, acrescendo factor de risco a um aumento alucinante de adrenalina na fronteira da conciliação destes dois mundos. Entre os pensamentos que não vou conseguir estar no local marcado à hora combinada, lá termino o trabalho e fecho os últimos assuntos mentalmente enquanto conduzo em direcção a casa. Chego 5 minutos antes, o tempo suficiente para lavar os dentes e já me lanço em direcção ao shoping mais próximo com sala de cinema, mas agora acompanhado.
Entre algumas garfadas de comida chinesa lá se trocaram algumas palavras. O filme, sim o filme, muito bom, reflectivo, cinzento, humor perspicaz e ironias contidas num espaço onde só cabe o mundo real. Teve o mérito de me mudar a empatia com o sorriso e me lançar numa torrente de considerações interiores. Concordo com o título de principal candidato ao Óscar. A banda sonora há muito pauta momentos meus, agora decifrei que reduzo diariamente a minha backpackage.


Lugar no estacionamento para o cinema, mesa perto do restaurante e claro lugar de estacionamento mesmo em frente às Galerias. Casa do Livro, o nome leva-me sempre lá. Entre músicas e duas cervejas tivemos oportunidade de trocar mais algumas palavras, lançando uma confusão que baralhou. Seguimos caminho para casa, numa rota alternativa. A Refinaria parece tão bela, o mar está sereno e a lua cheia. Não falamos, apenas olhamos nos olhos um do outro como sempre deveria ser.

Acto II
Acordar penoso devido às poucas horas de sono. Dois segundos e um salto da cama, é Sábado, é para o mar que eu vou e não fazer por merecer o salário. Liga o Engenheiro e cá vamos nós em direcção Aguça. Ondas medianas, chegamos no final mas a teimosia lança-nos à água quando todos seguem o sentido oposto. Pelo menos repos-se o nível de salinidade no corpo e o equilíbrio na mente. Passo num restaurante trago consolo para o estômago e chego a casa. Uma tarde doing nothing, para além de farmeville e algumas páginas no livro.

Acto III
Jantar em casa de amigos. Levo vinho que sei ter um valor na casa das centenas de euros e nada digo. Na boca saberá a mesma coisa, para quê estragar o sabor com o odor a euros?! Anfitriã surpreende pela riqueza de paixões e pela debilidade e insegurança da postura. Não consigo deixar de tecer um comentário que penso que foi recepcionado. Recordo-me que já fui assim e a solução foi nunca mais olhar por cima do ombro, as vozes tornam-se cada vez mais indistintas e o múrmurio passa a melodia. Não és tu que estás mal, é o mundo, a sério acredita mas não o tentes mudar, muda tu, muda para um sítio onde nada precise ser mudado.
Passagem na pracinha, saudações habituais. Um pulo a outro bar, mais saudações. Humor pelo meio, trocadilhos, piadas, atrevimentos, toques... A mesma ementa de sempre e o mesmo resultado de sempre. Faço o que esperam de mim e animo as hostes. Vou dormir.

Acto IV
Dormi tão pouco... Acordo e ligo. Vamos 3, chove imenso, o carro lavado de vésperas, lama por todo o lado. Equipamos à chuva e junto da praia estamos. Mais de duas horas no mar e sinto que a mente está noutro lado. O mar não se compadece e atira-me vezes sem conta ao fundo ao ponto de me questionar o que ali faço. Lá faço uma ou outra "coisa", a que gostaria de puder chamar ondas. Já são 14h, ainda bem que pedi ao mano para buscar papás regressados dos 60 anos do velhote em terras do charuto. Telefonema só para ter certeza que tenho comida ainda que fria, passo por casa meto roupa "digna" a um saco e saio disparado.
Os papás estão óptimos, a viagem muito aquém das expectativas para as quais contribui. Um dos último refúgios de sonhos que ganharam vida, está a perder chama. Como, colho o que tenho a colher no maldito vício, lavo o carro, tomo banho, atiro a minha roupa para dentro do saco, onde está o vazio deixado pelas roupas que tenho agora no corpo. Despeço-me, brinco com o Gaspar uma última vez e arranco. Telefonema, sms e apanho-a mesmo à porta da FNAC.

Acto V
Está gira como imaginei. Ar sorridente, divertida, simpática, educada e sofisticada. Sei que criarei impacto e assim é. Todos questionam quem está comigo, menos o meu colega a quem pisco o olho, pois sabe do plano. Apresentações feitas e seguimos para o nosso lugar, ao ouvido ouço um sussuro: "tenho um casamento muito em breve, quero-te lá." Olho por olho, ou neste caso favor por favor.
Um local simples mas simpático, um enquadramento de surpresa com o que é apresentado. Coro de música clássica e orquestra de sopro. Concerto de Ano Novo em finais de Janeiro, devidamente justificado e contextualizado, passando a ter sentido. Olho em volta e vejo os colegas de trabalho. O impacto que os sons tiverem em mim foi tranquilizador. Jantamos rapidamente, uma vez mais no shoping e conversamos com palavras e com os olhares. Ambos concluímos que as mãos dadas de há pouco não foram apenas encenação... Voltamos costas e saímos, troca de sms posterior para concluir que ambos fazemos um para agradável, mas, mas há um mas...

Acto VI
Corro os três contadores. Organizo a roupa lavada e a fruta traziada da casa dos progenitores. Acendo a lareira, visto o pijama. Pego nas facturas do mês e trato do controlo de custos do mês de Janeiro, os resultados esses os esperados, sempre o mesmo. Tomara que as pessoas fossem números. Termino, pego num cálice e vinho do porto escorre pela minha gargante, sugados que foram os odores pelas narinas, escurecido que foi o olhar com a cor de escarlate oxidado. Na boca explodem sensações que deveriam estar no cérebro. Encosto-me atrás, escrevo estas linhas e penso: já foi, já terminou?

sábado, 30 de janeiro de 2010

Os "Moedinhas" desta vida

Pelo fogo que me arde na alma, algumas palavras têm mesmo de sair. Viro-me para o passado e ganho algum tempo que me permita ordenar tudo o que ameaça ganhar forma e rapidamente ruir.

Jornal enrolado em cone, empunhado em riste no ar, qual mosqueteiro esgrimindo argumentos... Não foge da realidade, mas a imagem real suscita outros sentimentos opostos no campo do agrado.

Inundaram primeiro as cidades, as periferias e estão em todo o lado qual vírus. Primeiro eram os simples despojados da vida, simples como é o esgoto que não interessa a ninguém, mas complexos nas agruras que os atropelaram. Hoje são tudo e todos, sem racionalidade da droga que os faz recorrer a todos os expedientes, quando não sobram familiares para roubar, amigos para enganar, ou quando o corpo já não atrai nenhum perverso que pague dinheiro por qualquer momento desprovido de sentido.

Multiplicam-se dizia eu. Em número e em estirpes. Agora é vê-los nos semáforos, com uma água, com uma caneta, com um isqueiro. É vê-los nos parques dos supermercados a judar com as compras, em troca da moeda que fica no carrinho. Há tudo, em todo o lado, o denominador comum é um: a moedinha!

Fizera as compras do mês e uma vez mais a lista de compras mais não servira do que me levar ao supermercado, porque o que trouxe não estava escrito. Resmungava comigo próprio, não só pelo dinheiro desnecessário que gastara, mas já antever a guerra que seria transportar aquela carrada de sacos no elevador e adivinhando quantas viagens teria de fazer da garagem até casa, para abastecer a despensa de artigos que falta alguma me fazem.

Contorno a última esquina e dois precipitam-se sobre mim. Penso: "foda-se só me faltam estes putos de merda para me moerem o juízo!" Ultrapassada a questão de qual dos dois me iria "abordar" (claro que o maior, que este mundo não é para peixinhos), a atenção recaía toda sobre mim. Ostento a cara mais obtusa que tenho e digo a mim mesmo que não vou estar com as rotinas de que não tenho dinheiro, nem mesmo dar uma volta maior, ou fazer qualquer manobra de diversão. Não, desta vez vou mesmo direito ao carro. Ainda nem liguei o rádio e já ouço uma música que mais não é que a rotina de mendigagem do miudo num português incompreensível.

Permaneço calado, com o mesmo olhar. Abro o carro, olho para o puto nos olhos pela primeira vez e digo: cala-te lá com essas pechinchices que o carrinho já é teu. E ele calou-se... Foi-me passando os sacos e observando discreta o conteúdo. Terminando tão árdua tarefa, olho-o pela segunda vez e digo: obrigado. Não um obrigado de circunstância, mas um obrigado por se ter calado e por ter sido útil. Ele devolveu-me um obrigado, mas não um obrigado de circunstância. mas um obrigado por não o ter obrigado a repetir o discurso que diz vezes sem conta, e por não ter colocado as perguntas de onde estão os pais, se tem fome... Foram dois obrigados de respeito, de diferença e igualdade nessa experiência.

"Fugimos" de dar a moedinha, não com medo que nos risquem o carro, não com receio que nos espetem uma agulha, mas pelo receio de encarar uma realidade que pensamos ter optado ignorar. E não é pelo preço, preço esse que é muito baixo. Com a moedinha fazemos o que Pilatos fez e lavamos as mãos de um problema que não é nosso, mas que poderíamos e deveríamos ajudar a resolver.

Daria uma e outra e mais outra; daria todas as minhas moedinhas e ainda assim sobrariam fantasmas, receios, angústias e sentimenos de impotência e fragilidade, mas não páro!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sinopse Expurgativa

Dolorosa ferida se abriu no âmago do registo da intencionalidade e da convicção da existência da complementaridade. No alto do meu animismo busquei nas reflexões do momento, uma afirmação peremptória do estado de espírito.

Exercício exterior de incessante busca de um Graal que são palavras, palavras que não são frases, frases que não transcrevem emoções, emoções que me dominam; então porque não podem as palavras caracterizar-me? A necessidade, os meios, o desejo, os ingredientes para o início de uma viagem com muita bagagem mas sem destino...

O processo arrastou-se pelo tempo, não sabendo se escurecia ou se amanhecia, pois o tempo importante não é medido em relógios. As impurezas da alma jorraram feito lava de um vulcão, as limalhas do espírito soltaram-se, ficando a suavidade onde antes havia aspereza. Processo muito palpável, exorcismo visível, materialização de desejos, ânsias, expectativas, fulgor sem paralelo.

Metaforizando, como de uma nascente para a foz, tudo flui da alma para um aquário. Aquário cheio, alma limpa. Obscuro na alma, límpido no vidro. Seguro-o firme entre mãos, com o encanto da criança que observa o seu tesouro. Cautelosamente, movo-me enfeitiçado, feitiço esse que dura pouco. Mil pedaços, água por todo o lado, peixes sem vida. Debato-me incessantemente para colar cada pedacinho, para salvar cada peixe, afinal é parte de mim que ali está, a minha essência, o meu código genético. O vidro dilacera-me as mãos, prostro-me à minha condição humana. Sinais fisiológicos de mesquinhez, raiva, impotência, contudo todos efémeros.

Sou fulminado "caprichosamente" e ironicamente, intuindo a engrenagem do processo. A visão é agora mais ampla. Não preciso, não necessito, já me recordo... Isto é quem eu sou, a percepção das partes aglomera-se para perfazer um todo. Não posso retirar uma fracção de segundo que seja, quanto mais um momento, seria uma amputação dolorosa demais. Entendi o rastilho, que precipitou esta cascata de sensações.


Não sou usurpador de ilusões; A solidão não é uma disponibilidade mas a minha parceira para a vida, humilde o suficiente para me partilhar a tempos com alguém; O meu "Antes do Amanhecer" preencheu-me de fascínio e arrebatamento.

Quero fundir duas palavras, desculpa e obrigado, mas não encontro solução para tal desafio. Não importa, não preciso, tu viste, tu tocaste, tu ouviste, tu provaste; TU SABES...

Sigo o rumo da viagem. Agora entendo...

P.S.: Este será um dos últimos se não mesmo o último laivo de egoísmo neste espaço. Tenho asas, vou voar é altura de abraçar o projecto ao qual me propus.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Arca do Tesouro VII

Um poeta, um só livro, uma obra, uma vida... Estes poemas organizados pós morte do seu autor encerram para mim um sentido único, as origens de um poeta. Pela inquietação, pelas buscas das técnicas e pela crítica que cada mudança de direcção que a escrita tomava, mostram um percurso de crescimento de um poeta.

Curiosamente fica patente que quando Cesário tenta causar impacto na sociedade literária da época é quando a escrita menos fascina e fica mais amorfa entre convencionalismos ditados pelas correntes. Libertando-se deste celeuma de desejo de se notoriar, a sua alma é enorme havendo lugar ao racionalismo da profissão herdada, com a paixão e beleza do mundo rural. Há ardor sem dúvida nas descrições, há chama de vida e presença de morte.

Toca-me imenso a mensagem e a devoção do amigo que publica o livro a título póstumo. Possa a morte levar-me e surja um amigo que reuna algo que assemelhe a uma obra e o publique, porque assim não terei fracassado.

A morte roubou o homem mas fez nascer o poeta, porque partiu na exacta altura em que se imortalizou pela obra...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Signs

A minha busca por significados tem-me permitido descobertas fabulosas. Agradeço esta descoberta à menina dos caracois doirados. "Signs" uma curta-metragem premiada de Cannes em 2009.

Um despropósito de vida, a ausência de significados. Apenas mais uma ovelha no rebanho, fazemos o que fazemos porque temos de o fazer, sem nos questionarmos se não há mais para além disso. Dia após dia, adiar de desejos, do verdadeiro pulsar de vida, deixando que o vazio nos preencha e nos absorva. Os dias são longos, todos falam, ninguém nos ouve, nem mesmo nós nos ouvimos.

Invejamos o que nos rodeia, simplesmente queremos a simplicidade, alegria, um antibiótico para este vazio. Inquestionável o paralelo que estabeleço e assalta-me uma onda de calor no corpo que mais não é que compreensão. Termina aqui o reconhecimento e surge a esperança...

Um evento muda a vida. a música acelera a um ritmo que trás alegria. O sentenciar do despertador enche-nos de uma energia que nunca acaba. Tudo surge pelo ritmo natural, sem saltar passos, com significado, crescendo diariamente. Em breve se antecipam os toques, a suavidade da pele; os sons, a melodia da voz; os cheiros, o suave aroma; os odores, o perfume do cabelo; sem deixar de desejar trazer o quinto sentido à acção. Tudo se processa como deve processar, como sonhamos processar.

Pior que sentir o vazio, é perder o conteúdo uma vez que o tivemos. Sentimento de impotência, de desespero apodera-se de mim, porque não é de nós que eu falo. O meu final foi sempre aqui, sempre... Quero, desejo, mereço, tenho de ter um final idêntico a este retrato de compreensão de tantos seres nesta vida.

The signs, pouco mais de 12 minutos encerrando algo que leva uma vida a perceber e talvez várias a encontrar. Dois adjectivos, soberbo e arrebatador!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Verona

Paz de espírito, foi o que mais assinalo nesta viagem. O motivo, não pelo sentimento, mas da viagem, o trabalho que em cinco horas se despachou deixando o resto de tempo para conhecer a pequena cidade de Adro em Brescia e Verona.

Fácil a justificação para o anterior motivo, mais difícil para o motivo que verdadeiramente me interessa. Revivo a viagem em mente, a descrição da cidade, sonso, cheiros, cores, texturas, vibrares, pedindo o auxílio da memória que os meus sentidos depositaram na minha mente.

Sem egoísmo dou traços gerais das fotos mentais, como quem dá a miudos livros de colorir. Os contornos proponho eu, a cor preencha quem o desejar. Talvez um pequeno traço de cor, mas com a subjectividade do ângulo da minha máquina que fica sempre uns passos atrás da perspectiva que espero captar. Uma foto, uma cidade.


Qualquer busca no google ditará a sentença desta cidade, local da estória de Romeu e Julieta. Facilmente encontram o site viewing, com os diversos monumentos desde a presença romana na arena, à cidade à beira rio plantada, passando pelas imensas igrejas e torres que prosperam em todo o redor que nos viremos, recortando a linha de horizonte num picotado que se traduz numa silhueta à qual não passo despercebido.  Suspiros lançados da ponte, em águas de uma cor cristalina que adivinham temperaturas baixissimas.

As ruas são estreitas e pulsam de vida, a vida do presente como também do passado. Caminhando por elas, sinto que se estender os braços toco nas extremidades e pelos meus membros sentirei percorrer os sentimentos despejados pelas pessoas que ali passaram, sem distinção do sexo, idades ou épocas.

Os ouvidos sentem o silêncio fúnebre habitual de edifícios que hoje são monumentos mas outrora foram locais onde existiam pessoas de verdade e não seres que disputam ângulos diferentes, para roubar um pouco da alma do espaço em máquinas desenhadas para fotografar.

As fachadas dos edifícios são alegres, de cores vivas não obstante as inúmeras caixas fúnebres que ostentam algumas dessas fachadas.

Sereno dizia-me eu, sim sereno em paz de espírito. Da ponte dos suspiros lancei ao rio um suspiro que há muito se debatia na minha garganta para sair. Paz de espírito foi o que tive. No meu google Verona é significado de paz de espírito, o sentimento que me tem faltado há muito tempo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Reasons

A all new world of explaining in a true, unique and peaceful way. Sure hope to find the same answer for all the doubts that punish me, for don't knowing why...



Am i part of this world? If so how did i came so far away? Need to know where is my place, and why, allways the same question, why...

Thank God for the only explanation i have but it's not enough, not now, not any time. Although it's the only one, so thank you god, My God, the god that gives the answer i need... I'm just a small particle in the universe, but at my scale i'm a all system, with my star and planets. Why isn't that enough for me, why?