quarta-feira, 21 de maio de 2014

Saldo de comunicação

Dois telemóveis duas vias abertas, sem qualquer controlo de indivíduos que irrompem quando, como e onde desejam. Um pessoal, outro profissional, um sem saldo, outro com saldo inesgotável. Estranha incoerência perante o desejo de viver outras realidades.
 
Palavras simples, mas como raio encontrar palavras simples para pensamentos, sentimentos, essências não tangíveis. Não disse ser uma pergunta, mas não sei ter sido uma afirmação, simplesmente o é, existe e a palavra é de patética simplicidade.
 
Existir entre dois planos, o que somos e o que desejamos ser. Entre a realidade e a expectativa. "Não é pessoal e não estou a questionar o empenho e o ensejo por realizar tal tarefa..." Meto-me nojo, nesta prostituição não de princípios, não de ideias, não de convições, mas de nada. Nada, mesmo nada e a verdade ""esgotas-me, cansas-me, fazes sobressair em mim os monstros escondidos, não te quero ver"". Duplas aspas para uma citação não dita no passado, desejada neste presente e certamente sem futuro. E ele foi-se...
 
Foi este mas tantos há por ir, pois o monstro tem de ser acorrentado, silenciado, anulado...
 
Não ligo porque não posso de outro modo teria-o feito. Não requer citação, não requer aspas, não requer nada. Estou sem saldo, não posso comunicar. O monstro está pacífico, acordará pelo ruído crescente em meu redor. Palavras, frases, com e sem sentido. Escuto e escuto e escuto. Tento falar, tento... É pessoal, não comunico, não sinto o meu empenho já desisti!
 
Procuro sim, o quê não sei. Passo a vida à procura sem saber o que me falta! Alguém me ouve?!

domingo, 11 de maio de 2014

Toque de Midas

Tudo, tudo o que toco! Estranho dom, estranho talento. Não o pedi, quanto mais desejei.
 
Enquanto calcorrilho os recantos do meu eu interior, buscando respostas para esta inquietude, prostro o olhar perante o recanto das promessas. Duas obras, dois livros, juntos entre várias dezenas, num qualquer questionável capricho dos acontecimentos aleatórios. Um intitulando-se "Ser feliz", o outro "Sinto muito!"
 
Posso eu ser feliz, se apenas deveria desculpar-me, lamentar e rogar pois não o desejei, não o pedi, nem sequer o quis. Mas tendo-o queria trazer algo, transformar algo, algo precioso...
 
Há transformação, há brilho, há mudança, há algo. Talvez tenha de facto alguma sombra talento, talvez seja um dom. No entanto não me alimenta, não me preenche, não me faz feliz. E, e não sei reverter, e choro, encolho-me afasto-me, isolo-me!
 
Mas preciso alimentar-me, preciso preencher este vazio, preciso de acender uma réstia que seja de felicidade. Preciso, o que não posso precisar, não posso, devia saber melhor. Sinto Muito!
 
Queira algo ou alguém, num qualquer tempo que me possa tocar e curar, ou então padecer porque aí se feliz não me sentir então nada sentirei. E aí...
 
E aí... Quando a minha vez de ser enterrado chegar, fiquem as orelhas de fora para que a estória se saiba. As ideias desfalecem-se perante mim, alguma quietude se aproxima, numa devassidão amordaçada.
 
Para eu, não para ti, é para eu, de mim, para eu. Mas que porcaria tu és!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Agonias do meu ser

Hoje senti:
Pensar em ti faz-me sentir tão só, quando julguei que tudo o que necessitaria como companhia seria a minha solidão!
 
Depois pensei:
Sinto que a minha solidão como companhia é absolutamente e simplesmente tudo o que preciso!
 
Incoerências, dicotomias, agonias do meu ser...

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O final

Sentimentos constituídos de finais. Começos desconhecidos em despropósitos de razões. Motivos disfarçados com o único e só objetivo de terminarem, de transportarem ao fim, num perpetuar esgotante de ações sem propósitos.
 
Sim é bom, sei-o, sinto-o. Êxtase incomodado com a inquietante sensação de engano, de equívoco. Mas é bom e anseio que termine, só no final saberei que é bom. No final é bom mas termina, termina e o sentimento açambarca totalmente um ser, num colete de forças que sufoca e fere a mente, como um cilício atroz.
 
Tem de terminar, é bom e por isso tem de terminar. É muito, é demais, é portanto demasiado. Não há sentidos - visão, audição, tato, paladar, olfato, que processem tudo. Não há onde armazenar, não pode ser consumido. É bom, tem de terminar porque é bom.
 
O final nunca é o fim. E depois, e depois do final? Depois do final, bem o início...

domingo, 20 de abril de 2014

Voz silenciosa

Por uma vez, por pouco tempo, hoje... Bom, tão bom, é bom não ouvir a nossa própria voz. Escutar apenas o silêncio dos pensamentos e o ritmo embalador dos sentimentos.
 
Falar é expor, falar é abrir uma brecha impossível de tapar para o nosso real Eu. Possam ser os olhos janelas, mas janelas inacessíveis. A boca, a comunicação verbal é a porta, porta essa escancarada. Pronunciam-se palavras incautas e exposto surge o nosso âmago. Calado tudo é dito, nada é escutado; calado os olhos olham apenas para o interior e buscam nos pequenos estímulos que persistem no silêncio, indícios de descoberta.
 
As palavras tomam energia, consomem-na. Questionável a sua eficiência, energia desperdiçada. Todos aqueles angustiantes momentos que antecedem uma necessidade asfixiante de explicar, de nos fazermos entender, de demonstrar, de conquistar, de arrebatar e nada, nada acontece, as palavras nada trazem. Desperdício de energia que nos reduz à vulgaridade dos números, um entre tantos, palavras, números, coisas nenhumas, crónicas do nada. Tudo acontece dentro, em nós, em mim, pois tu não cabes cá dentro.
 
Ninguém cabe cá dentro, ninguém! Sinto-me tão apertado, tão preso, tão amarrado. Não sei onde pertencer e prefiro encolher-me a rasgar esta membrana claustrofóbica que me envolve, por isso me calo.
 
No silêncio ouço novamente uma voz, a minha voz. No espelho um homem adulto despido. A barba, os ombros, a barriga, o rabo, o pénis. Tudo tão estranho. Abro as mãos simultaneamente, sentido o ar entre dedos, agitando-as suavemente. Desvio o olhar para uma e depois para outra. Deixo-as silenciosamente tocar cada parte do homem adulto, sem que o reconheçam.
 
Do silêncio, uma voz dentro de mim irrompe questionando, mas quem és tu, quem és? É a minha voz, mas não sou eu, contudo que sei eu?!

domingo, 6 de abril de 2014

Compro amor

Sim compro-o, compro o de menor calibre, aquele de letra minúscula, não sobrem confusões, sucumbam as dúvidas, pelo menos estas. Melhor quero-o comprar, mas não sei como, não sei onde, não sei a quem, não sei quando. Nada sei para além que o quero e isso já não é notícia, pois para além do quê, não tem quando, como, a quem, não tem mesmo nada.
 
O amor, compro-o. Sei bem o que quero, sinto-o, anseio por ele, sufoca-me só imaginar. Só, não pela solidão, só tal qual o ar que faz arder os pulmões na ausência. Incendeia-se em mim a sua ausência, esse amor menor.
 
Menor, mais pequeno, ou o único, que sei eu afinal?! Qual afinal? Um tempo, um espaço, uma intenção, imensa partilha, ausência de dor. É esse...
 
As coisas simples; a mão que afaga o cabelo; o bater do coração daquele que nos segura maternalmente nos braços; os lábios ternos, húmidos e quentes que deliciam os meus, numa dança de dois amantes embrenhados em sincronias irrefletidas; o cheiro após o beijo da minha boca, qual flores perfumadas pela chuva calma e abençoada; as palavras que são só isso mesmo, palavras que convidam, palavras que embalam, palavras que fazem sonhar, palavras que dizem mais que o silêncio e nunca menos.
 
E, não é tudo. Quero o sexo, quero-o porque o animal encerrado dentro de mim estripa-me, dilacera-me com as suas garras. Quero, quero mesmo, compro o que quero, compro-o, a ele ao amor, ao sexo...
 
No fim, não posso sofrer, não há desmoronamento de emoções, não há dor infligida, não há dor sofrida. Sem sentimento de perda, sem perda de sentido, sem saudade. Com significado, com intensidade, com partilha, com tudo, mas tudo num tempo, num espaço, num sentido...
 
Paro um pouco, penso no caminho que me trouxe a esta linha. Sinto, tomo consciência, absorvo esta inquietação, traduzo-a minimamente. Vejo dúvidas, vejo confusões... Será que compro, ou será que vendo? O Amor, ou o amor? Não sei, simplesmente não sei, mas quero, quero mesmo muito!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Coisa

Coisa que palavra essa...

Não significa nada e encerra o significado de tudo.

Tudo são coisas e as coisas não são nada.

Se não sabes o que é, coisa será. mas o que é uma coisa? Será coisa?

Realmente é alguma coisa.