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sábado, 29 de novembro de 2014

Porra e outra vez Porra

E outra vez...

Caramba, sinto a raiva não conseguir conter, mas ainda assim quero-a manter, para algo sentir. Sem ela apenas o vazio me resta. Vazio esse que tanto esforço custou em preencher.
 
Preenchimentos feitos de ilusões e sentimentos a espaços, sem materialidades distantes da dimensão física e temporal, para além dos momentos. Para mim momentos mas tudo significando dentro dessa dimensão.
 
Desequilíbrio absurdo, pautado por uma tontura sentimental que impossibilita qualquer discernimento de lógica, ou perceção de preenchimento.
 
Preenchido ou vazio, ilusório ou real, que importa se este ardor me destrói num desagrado de incompreensão.
 
Assassino de sentimentos, cuja vítima julgaria ser apenas eu, mas que provoca genocídio das personagens que tomam forma nos momentos.
 
Porra mas que porra... 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O final

Sentimentos constituídos de finais. Começos desconhecidos em despropósitos de razões. Motivos disfarçados com o único e só objetivo de terminarem, de transportarem ao fim, num perpetuar esgotante de ações sem propósitos.
 
Sim é bom, sei-o, sinto-o. Êxtase incomodado com a inquietante sensação de engano, de equívoco. Mas é bom e anseio que termine, só no final saberei que é bom. No final é bom mas termina, termina e o sentimento açambarca totalmente um ser, num colete de forças que sufoca e fere a mente, como um cilício atroz.
 
Tem de terminar, é bom e por isso tem de terminar. É muito, é demais, é portanto demasiado. Não há sentidos - visão, audição, tato, paladar, olfato, que processem tudo. Não há onde armazenar, não pode ser consumido. É bom, tem de terminar porque é bom.
 
O final nunca é o fim. E depois, e depois do final? Depois do final, bem o início...

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dia cobardemente perfeito

Eis chegada a hora. Coragem!? Coragem não, cobardia sim... Julgara a coragem mais difícil que a cobardia, quando o oposto se prostra perante mim, numa dor sem refúgio!
 
Preciso, tenho, devo... Não sentir, não ver, não ouvir... Encerro os olhos, tapo os ouvidos, fecho a boca... Não vejo, não ouço, não falo...
 
Nada, mesmo nada, não digo, escuto ou deslumbro o que quer que seja. Vazio, só isso, apenas o que preciso em contra posição ao que desejo. Desconstruo tudo em meu redor e só aí julgo possível, espero possível, desejo possível... Mas o quê?! Eu, o quê sou eu. Chegando o momento de ver, ouvir e falar, se possível estarei lá eu, vendo-me, escutando-me...
 
Dita-me a música: " Que dia perfeito, continua a aguentar-te. Que dia perfeito, os problemas não têm de ir... Fizeste-me esquecer a mim mesmo e pensei que era outra pessoa, alguém bom..." E que sentido faz? Todo, todo o sentido verdadeiramente, pois na preguiça de sentir, deixo-me sentir pelas palavras de outros. Mais fácil, pois no final da música bem o silêncio, no final do livro voltamos a contra capa, na imagem desviamos de olhar, e tudo se desvanece. Então porque por mais tempo que mantenha os olhos cerrados, os ouvidos tapados e a boca fechada, quando os abro volta o que a cobardia deu lugar?! Onde estou eu?
 
És o meu farol e a minha âncora. Orientaste-me na tempestade mas agora prendes-me quando de partir eu tenho. Tão fácil ter coragem, tão fácil comparado com isto. Nem farol nem âncora, tenho de continuar a abraçar a cobardia até que seja tão fácil e aí me saberei corajoso.
 
Mas e agora, qual o meu caminho?! Posso não falar, não ouvir, não sentir, mas penso, penso demasiado. Assim nunca me encontrarei, terei sempre receio da cobardia e continuarei a aguentar mais dias perfeitos como este...


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Desilusão

Desilusão, que poderosa palavra esta e que avassaladores os sentimentos que desperta.

Reviro-me, contorço-me, extasio-me, enfureço-me! Curiosamente não me questiono, porque sei, sei que é essa a natureza humana. Agora sinto-me, agora tiro os tranquilizantes sociológicos, agora sim, agora abraço a causa do genocídio, porque reles são todos eles, imerecedores, ingratos!

A fúria passa, sinto-me pequeno, invadido por um sentimento de impotência, desespero e solidão. Mas porra porquê?! Os porquês depressa me invadem.

Encontro descanso na insónia, alimento na fome e equilíbrio na adrenalina!

Não deixo ideias por concluir e tudo exclamo. As interrogações, o ódio! Foda-se para todos vocês, nas certezas dadas encontraram as fragilidades, no apoio a camuflagem, no respeito a oportunidade, na frontalidade a mentira... Já não consigo exclamar!

Filhos da puta daqueles que me querem obrigar a ser o que sou!!!...