No pretexto de estreitarem laços, fundem-nos a todos, reduzindo o individuo ao coletivo numa incessante continuação da adolescência, com marcada procura de afirmação na segurança da igualdade de grupos e maiorias.
Era mais fácil antes, era mais fácil ser único antes do flagelo das redes sociais. Num ápice todos desejam sol, todos se lamentam da vida, todos sofrem com a morte de alguém, todos estão tristes ou em estado de euforia. Todos respiram, sentem e são humanos.
Mas eu não sou todos, quero julgar sentir, ser, estar de forma única. Desejo olhar para os outros como figurantes neste mundo que julguei criado só para mim.
O sol é meu, a agonia da vida só eu sinto, a dor de um ente próximo partir apenas a mim me derruba do pedestal da imortalidade... Que direito têm os outros de procurar "A Minha Vida" na imaterialidade das redes sociais?!
Quero fugir, quero escapar-me para um sítio onde seja o Eu só mesmo eu. Quando lá chegar saberei ser único, saberei que não há outros, terei a certeza que não mais sentem, dizem ou desejam o mesmo que eu.
E aí? Aí faltará algo, faltaram os figurantes, no meu mundo. Mundo que afinal não existe. Existe pois, ele existe, eu sei que sim... O meu mundo sou eu e existo dentro de mim, pois a cada dia da minha existência construo um pouco mais dele. Chegará o dia que me sentirei finalmente pronto e aí, aí mudar-me-ei definitivamente.
Vivo voltado para o meu interior, mas não é o suficiente. Chegará o dia que colocarei a última pedra, encravarei a engrenagem e mais não voltarei. Procurem-me aí nas redes sociais...