Desilusão, que poderosa palavra esta e que avassaladores os sentimentos que desperta.
Reviro-me, contorço-me, extasio-me, enfureço-me! Curiosamente não me questiono, porque sei, sei que é essa a natureza humana. Agora sinto-me, agora tiro os tranquilizantes sociológicos, agora sim, agora abraço a causa do genocídio, porque reles são todos eles, imerecedores, ingratos!
A fúria passa, sinto-me pequeno, invadido por um sentimento de impotência, desespero e solidão. Mas porra porquê?! Os porquês depressa me invadem.
Encontro descanso na insónia, alimento na fome e equilíbrio na adrenalina!
Não deixo ideias por concluir e tudo exclamo. As interrogações, o ódio! Foda-se para todos vocês, nas certezas dadas encontraram as fragilidades, no apoio a camuflagem, no respeito a oportunidade, na frontalidade a mentira... Já não consigo exclamar!
Filhos da puta daqueles que me querem obrigar a ser o que sou!!!...
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Sentimento
Sentimento é uma plasticina que moldamos para a forma como queremos que os outros o percepcionem.
Não deixa de ser o que é, mas nunca é o que dizem ver.
Bastaria que deformassem os vícios de interpretação e a plasticina tomaria o verdadeiro sentimento, sentimento esse que busco esconder!
Que bem escondi ele está...
Não deixa de ser o que é, mas nunca é o que dizem ver.
Bastaria que deformassem os vícios de interpretação e a plasticina tomaria o verdadeiro sentimento, sentimento esse que busco esconder!
Que bem escondi ele está...
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Motivação
Mas que raio?! Que raio... A nascente não secou, o rio é que perdeu o seu curso. O comentário surgiu como que um alerta que a barragem se aproxima perigosamente do seu nível máximo. Tenho de libertar tenho de deixar sair...
Tantos e tantos temas, imensas incertezas, percalços, inquietações me assaltam. Sem desmoronar a frágil construção da integridade exterior, inicio a já habitual viagem e não menos habitual encontro a desculpa: não me apetece fabricar essas palavras, esses sonhos essas emoções. Se ao menos a Fábrica das Palavras, se ao menos...
Sem desculpas, sem compromissos, mas envergonhadamente inicio para descobrir a responsabilidade e o risco de escolher um ponto de partida e um de chegada, com receio de perder no caminho. Ora bem, a Motivação, seja ela,venha a mim a matéria prima das palavras que de sonhos inconcretizados e emoções melancólicas.
O mais engraçado é que espreito os outros e vejo pelas palavras fabricadas um mundo de zombies. Nada de crises, nada de troikas, , nada de desemprego, nada de lamúrias, nada de nada.
Jogos olímpicos, falta de medalhas, habitual resignação e pessimismo português; o que contará mais uma medalha ganha por uma brasileira naturalizada portuguesa, ou um cavalo português montada por uma qualquer outra nacionalidade?! Nem isso, mas ok estamos em Agosto e a fábrica já terminou esse lote.
Férias, falta de férias, as que foram e as que ainda serão! Nada mesmo nada, estranho mundo de zombies. Para quê produzir palavras que ninguém consome, para quê? Mas, talvez não um mas, no entanto também não o concluindo, que não conclui. Ia dizendo?! Ia dizendo nada, não tenho de dizer nada com sentido, não me sinto motivado, não há motivação.
Não tenho motivação. Tento redescobri-la todos os dias. Faço passagem de dias como se faz passagem de anos. Amanhã, sim amanhã farei, sim amanhei realizarei, sim, sim, sem dúvida sim. Não, não, o amanhã passou a ser ontem e nada mudou. Procuro a motivação, procuro concretizar os sonhos, obrigo-me a sonhar. Se calhar deveria estar a escrever sobre a desmotivação, mas não me diz a sombra o que é a forma original. A minha desmotivação é a sombra dos sonhos inconcretizados e das emoções melancólicas, mas agarra-me a algo e é a motivação que preciso para avançar.
Olhos postos na sombra, retiro-me novamente como a fábrica e vejo os meus pares. Atrevo-me a julgar-me um deles e sinto-me integrado...
Sacia-me parte da fome motivacional a "deliciosa ambiguidade". Talvez seja isso, talvez...
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Silêncio
Não, não o faças... Fazes e eu não respondo. O que responderia não ouvirias, o que procuras ouvir não te serve.
Agora eu, eu, eu calo-me...
Pudesse ouvir os meus conselhos e o silêncio ecoaria no meu espírito. Não me serve, não me ouço.
Registo a incoerência, sorvo o silêncio do ruído!
E isso sou eu, um ponto entre dois mundos buscando um outro que me leve a traçar uma fronteira...
Agora eu, eu, eu calo-me...
Pudesse ouvir os meus conselhos e o silêncio ecoaria no meu espírito. Não me serve, não me ouço.
Registo a incoerência, sorvo o silêncio do ruído!
E isso sou eu, um ponto entre dois mundos buscando um outro que me leve a traçar uma fronteira...
quinta-feira, 31 de maio de 2012
o Eu de hoje
Alinhem-se as palavras, quero falar! Ouviram, ouviram bem? O que vos digo? Ah não ouvem... Não ouvem porque não sentem, rejubilam quando enfureço, entristecem-se quando o peso da infelicidade não me pesa nos ombros.
De que me serve a lingua se a movo e nada faz, nada ouço, nada digo?! ocupa espaço, espaço que posso peencher com comida, comida essa que alimenta o corpo, quando as palavras falharam em alimentar a mente.
E isso sou eu, uma enorme ocupação de espaço que não serve para nada que não seja o que ainda não descobri! E isso sou eu...
De que me serve a lingua se a movo e nada faz, nada ouço, nada digo?! ocupa espaço, espaço que posso peencher com comida, comida essa que alimenta o corpo, quando as palavras falharam em alimentar a mente.
E isso sou eu, uma enorme ocupação de espaço que não serve para nada que não seja o que ainda não descobri! E isso sou eu...
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Eis que posso parar de começar o que nunca termino... Eis que olho em frente e vejo letras só letras, mas quem as pôs assim, quem? Como que caminhando sem chegar a lado nenhum, letra por letra sinto-me desentorpecer e afloram em mim o que julgava adormecido.
Tão simples, tão libertador, tão simples! Encontro-me agora no centro do tornado, à minha volta tudo rodopia numa ferocidade de movimento mas inaudível. Com clareza chego a parte do todo, apenas pela soma todas as partes. Tão libertador, tão simples, tão libertador! Porque não me permito partir assim?! Porquê? O passo é lateral mas o movimento frontal, as ideias cruzam-se em aparente descoordenação, mas... mas não quero chegar a lado nenhum.
Fui jardineiro, sinto querer ser. Sou filho sem pai saber ser. Sinto não ser o que desejei ser. Conquistei um passado, confundo-me no presente e baixo os braços perante um futuro que sinto não desejar.
Vezes sem conta vi-o cair e ele caía... Agora ele sou eu e caio, como eu caio. Não não quero voar, não não há pesadelo de que me possa evadir com um simples abrir de olhos. Não estou assustado afinal eu sou ele, e ele já era eu ainda antes de ter vindo a este mundo. E o ele antes dele?!
O meu avô partiu ele partiu. "Estás aí?! Devia chorar-te, mas não sinto que precise. Espera vou chorar... Não só ia chorar da mesma forma que se vê um filme, é triste, mas é um filme. É triste mas não estou triste."
É o meu avô mas nunca o soube ser e agora com a sua boina, pele fria, desprovido de cor e pouca carne abraçando os ossos é um boneco sem ação. Podia ser a criança que pega em ti e te dá a vida possível de boneco. Sim faço isso, já o faço vives a cada lufada de ar que tomo, a cada piscar de olhos, a cada lágrima que fica por derramar. Tudo porque tu és ele, ele sou eu e todos somos o mesmo.
Como te guardo na mente, onde falta carinho não há ódio, apenas talvez frustração por não me teres deixado simplesmente lá estar. Penso em ti e não tenho de ver a foto assinalando a tua morada. Estranho mas não, penso em ti e vejo-te alegre sempre tu mesmo, sempre um estranho que enquanto e que me fazia tremer de medo em fechar os olhos, com receio que a cada abrir te afastasses até que desaparecias. Sabes que mais?!
És importante para mim e pensando em ti, na forma digna que escolheste partir, no beijo de despedida e a tristeza não é do filme e para ser eu, para ser ele, e para sermos os três o mesmo, sinto que não ficará lágrima por derramar.
Tão simples, tão libertador, tão simples! Encontro-me agora no centro do tornado, à minha volta tudo rodopia numa ferocidade de movimento mas inaudível. Com clareza chego a parte do todo, apenas pela soma todas as partes. Tão libertador, tão simples, tão libertador! Porque não me permito partir assim?! Porquê? O passo é lateral mas o movimento frontal, as ideias cruzam-se em aparente descoordenação, mas... mas não quero chegar a lado nenhum.
Fui jardineiro, sinto querer ser. Sou filho sem pai saber ser. Sinto não ser o que desejei ser. Conquistei um passado, confundo-me no presente e baixo os braços perante um futuro que sinto não desejar.
Vezes sem conta vi-o cair e ele caía... Agora ele sou eu e caio, como eu caio. Não não quero voar, não não há pesadelo de que me possa evadir com um simples abrir de olhos. Não estou assustado afinal eu sou ele, e ele já era eu ainda antes de ter vindo a este mundo. E o ele antes dele?!
O meu avô partiu ele partiu. "Estás aí?! Devia chorar-te, mas não sinto que precise. Espera vou chorar... Não só ia chorar da mesma forma que se vê um filme, é triste, mas é um filme. É triste mas não estou triste."
É o meu avô mas nunca o soube ser e agora com a sua boina, pele fria, desprovido de cor e pouca carne abraçando os ossos é um boneco sem ação. Podia ser a criança que pega em ti e te dá a vida possível de boneco. Sim faço isso, já o faço vives a cada lufada de ar que tomo, a cada piscar de olhos, a cada lágrima que fica por derramar. Tudo porque tu és ele, ele sou eu e todos somos o mesmo.
Como te guardo na mente, onde falta carinho não há ódio, apenas talvez frustração por não me teres deixado simplesmente lá estar. Penso em ti e não tenho de ver a foto assinalando a tua morada. Estranho mas não, penso em ti e vejo-te alegre sempre tu mesmo, sempre um estranho que enquanto e que me fazia tremer de medo em fechar os olhos, com receio que a cada abrir te afastasses até que desaparecias. Sabes que mais?!
És importante para mim e pensando em ti, na forma digna que escolheste partir, no beijo de despedida e a tristeza não é do filme e para ser eu, para ser ele, e para sermos os três o mesmo, sinto que não ficará lágrima por derramar.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Conversar com as palavras
Oponho-me a iniciar com uma pergunta que mais não é que a resposta com que os pensamentos me questionam.
Escrever é conversar com as palavras e eu preciso de ouvir o que as palavras me dizem. Espero da imagem refletida do espelho uma verdadeira imagem de mim. Mas é falso, é falso não é nada daquilo. Recebo imagem de tristeza mas os sinais que dão são de alegria. Não pode ser...
Os sintomas não têm cura. A doença nada faz, apenas observa. Doente, sinto-me doente, como um inverno gelado do norte, mas os sintomas... Os sintomas esses não mostram doença, então não tenho cura, mas sinto!
Converso, converso, vejo as palavras surgirem letra ante letra com um curso sempre a fugir. Não sei de onde vêm mas surgem. Os dedos primem numa aleatoriedade inconstante teclas qwertedianas e os sintomas apaziguam. Ainda os sinto, ainda estão lá, já não penso na doença.
Converso com as palavras e elas escutam, escutam... Noto nelas cada vez mais indiferença. Como? O quê? Não vos ouço. Não as consigo ouvir, perdi a vontade de conversar. Aí estão eles, sinto-os; estou doente...
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