terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Arca do Tesouro VII

Um poeta, um só livro, uma obra, uma vida... Estes poemas organizados pós morte do seu autor encerram para mim um sentido único, as origens de um poeta. Pela inquietação, pelas buscas das técnicas e pela crítica que cada mudança de direcção que a escrita tomava, mostram um percurso de crescimento de um poeta.

Curiosamente fica patente que quando Cesário tenta causar impacto na sociedade literária da época é quando a escrita menos fascina e fica mais amorfa entre convencionalismos ditados pelas correntes. Libertando-se deste celeuma de desejo de se notoriar, a sua alma é enorme havendo lugar ao racionalismo da profissão herdada, com a paixão e beleza do mundo rural. Há ardor sem dúvida nas descrições, há chama de vida e presença de morte.

Toca-me imenso a mensagem e a devoção do amigo que publica o livro a título póstumo. Possa a morte levar-me e surja um amigo que reuna algo que assemelhe a uma obra e o publique, porque assim não terei fracassado.

A morte roubou o homem mas fez nascer o poeta, porque partiu na exacta altura em que se imortalizou pela obra...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Signs

A minha busca por significados tem-me permitido descobertas fabulosas. Agradeço esta descoberta à menina dos caracois doirados. "Signs" uma curta-metragem premiada de Cannes em 2009.

Um despropósito de vida, a ausência de significados. Apenas mais uma ovelha no rebanho, fazemos o que fazemos porque temos de o fazer, sem nos questionarmos se não há mais para além disso. Dia após dia, adiar de desejos, do verdadeiro pulsar de vida, deixando que o vazio nos preencha e nos absorva. Os dias são longos, todos falam, ninguém nos ouve, nem mesmo nós nos ouvimos.

Invejamos o que nos rodeia, simplesmente queremos a simplicidade, alegria, um antibiótico para este vazio. Inquestionável o paralelo que estabeleço e assalta-me uma onda de calor no corpo que mais não é que compreensão. Termina aqui o reconhecimento e surge a esperança...

Um evento muda a vida. a música acelera a um ritmo que trás alegria. O sentenciar do despertador enche-nos de uma energia que nunca acaba. Tudo surge pelo ritmo natural, sem saltar passos, com significado, crescendo diariamente. Em breve se antecipam os toques, a suavidade da pele; os sons, a melodia da voz; os cheiros, o suave aroma; os odores, o perfume do cabelo; sem deixar de desejar trazer o quinto sentido à acção. Tudo se processa como deve processar, como sonhamos processar.

Pior que sentir o vazio, é perder o conteúdo uma vez que o tivemos. Sentimento de impotência, de desespero apodera-se de mim, porque não é de nós que eu falo. O meu final foi sempre aqui, sempre... Quero, desejo, mereço, tenho de ter um final idêntico a este retrato de compreensão de tantos seres nesta vida.

The signs, pouco mais de 12 minutos encerrando algo que leva uma vida a perceber e talvez várias a encontrar. Dois adjectivos, soberbo e arrebatador!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Verona

Paz de espírito, foi o que mais assinalo nesta viagem. O motivo, não pelo sentimento, mas da viagem, o trabalho que em cinco horas se despachou deixando o resto de tempo para conhecer a pequena cidade de Adro em Brescia e Verona.

Fácil a justificação para o anterior motivo, mais difícil para o motivo que verdadeiramente me interessa. Revivo a viagem em mente, a descrição da cidade, sonso, cheiros, cores, texturas, vibrares, pedindo o auxílio da memória que os meus sentidos depositaram na minha mente.

Sem egoísmo dou traços gerais das fotos mentais, como quem dá a miudos livros de colorir. Os contornos proponho eu, a cor preencha quem o desejar. Talvez um pequeno traço de cor, mas com a subjectividade do ângulo da minha máquina que fica sempre uns passos atrás da perspectiva que espero captar. Uma foto, uma cidade.


Qualquer busca no google ditará a sentença desta cidade, local da estória de Romeu e Julieta. Facilmente encontram o site viewing, com os diversos monumentos desde a presença romana na arena, à cidade à beira rio plantada, passando pelas imensas igrejas e torres que prosperam em todo o redor que nos viremos, recortando a linha de horizonte num picotado que se traduz numa silhueta à qual não passo despercebido.  Suspiros lançados da ponte, em águas de uma cor cristalina que adivinham temperaturas baixissimas.

As ruas são estreitas e pulsam de vida, a vida do presente como também do passado. Caminhando por elas, sinto que se estender os braços toco nas extremidades e pelos meus membros sentirei percorrer os sentimentos despejados pelas pessoas que ali passaram, sem distinção do sexo, idades ou épocas.

Os ouvidos sentem o silêncio fúnebre habitual de edifícios que hoje são monumentos mas outrora foram locais onde existiam pessoas de verdade e não seres que disputam ângulos diferentes, para roubar um pouco da alma do espaço em máquinas desenhadas para fotografar.

As fachadas dos edifícios são alegres, de cores vivas não obstante as inúmeras caixas fúnebres que ostentam algumas dessas fachadas.

Sereno dizia-me eu, sim sereno em paz de espírito. Da ponte dos suspiros lancei ao rio um suspiro que há muito se debatia na minha garganta para sair. Paz de espírito foi o que tive. No meu google Verona é significado de paz de espírito, o sentimento que me tem faltado há muito tempo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Reasons

A all new world of explaining in a true, unique and peaceful way. Sure hope to find the same answer for all the doubts that punish me, for don't knowing why...



Am i part of this world? If so how did i came so far away? Need to know where is my place, and why, allways the same question, why...

Thank God for the only explanation i have but it's not enough, not now, not any time. Although it's the only one, so thank you god, My God, the god that gives the answer i need... I'm just a small particle in the universe, but at my scale i'm a all system, with my star and planets. Why isn't that enough for me, why?

domingo, 17 de janeiro de 2010

Caçador de Almas

Pavor no olhar daqueles que escolheram a natureza como forma de vida. Primitivos dirão alguns, puros digo eu. Índios espalhados por todo o mundo, sem nunca terem tido contacto na primeira abordagem a uma máquina fotográfica, fugiam de receio, ainda mais que de qualquer outro objecto do "Homem Moderno". Rouba a alma, diziam eles, rouba a alma...

Serão assim tão despropositados esses temores?! Eu creio que não. Nas vésperas de uma nova viagem, preparo a máquina como quem prepara uma armadilha para capturar a sua presa. Ghostbuster de almas e não de espíritos e a máquina fotográfica a minha armadilha.

Furtivamente aproximo-me, venço os últimos passos que me afastam da distância pretendida com um ligeiro girar da objectiva. Pressiono ligeiramente para uma primeira leitura e está capturada, em príncipio sem grande ruído para além do click que na selva denunciaria o tigre perante a sua presa, mas na urbe humana passa despercebido.

Aquela pessoa, aquela actividade simples, aqueles contornos, aqueles gestos, tudo aquilo passa a ser meu. Roubei-o e agora é meu, transporto-o como um troféu. Com estes troféus consigo ter uma percepção de realidades que desconheço, de sentimentos que não me permito sentir. Ainda não encontrei a minha alma, enquanto não o faço, entretenho-me olhando para outras almas...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Arca do Tesouro VI

Finalmente o Nobel, o nosso, o deles, sei lá, creio com a crise de identidade nem ele sabe a que país pertence. Aprendi a odia-lo quando defendeu a inclusão de Portugal em Espanha e sempre disse que por ter levado uma espanhola para a cama, não tem direito de nos foder a todos.

Por diversas vezes comecei as mecas obrigatórias do autor e não passei das primeiras páginas. A justificação, a mesma após atribuição do prémio, falta de pontuação, palavras que não existiam e uma obscuridade de ideias com latências insondáveis, que numa perspectiva freudiana atirariam para a infância uns quaisquer traumas. Curiosidade, no alemão a tradução obedece e pontua...

Presente de Natal, na mente um debate televisivo com um padre. Uma petulância excessiva por parte do autor contrastando com humildade do sacerdote, para terminar num retractamento público do primeiro pelo uso de expressões como filho da puta para substantivar Deus. Ingredientes que faltavam para iniciar a leitura. A inércia do conceptual da escrita do autor desvaneceu-se ao fim de poucas frases e apaixonei-me.

Falta juntar sal à receita, há muitos anos atrás li o Antigo Testamento e entre as exaustivas descrições da tenda de Abraão, fiquei com imensas dúvidas de várias passagens. Porque quereria o Deus benévolo que eu amo, que Abraão sacrifica-se o seu filho? Como surgiu a humanidade se Adão e Eva tiveram apenas dois filhos homens e um foi assassinado pelo próprio irmão? Tantas outras passagens me suscitaram dúvidas, para as quais nunca me foram dadas respostas.

Saramago fez isso, deu-me respostas, preencheu os espaços em branco de forma astuta, coerente e intensa, tendo tudo feito sentido na minha mente. Agarrou-me e entrei nas palavras, nas frases, nas páginas. A pontuação fiz eu, tal como o autor sempre afastou as críticas e estranhamente ganhou uma intensidade e um ritmo muito meu.

Não questiono a raiva de Caim por Deus, não questiono o Deus tirano e cruel. Não julgos os desígnios desta personagem que por acaso é Deus, é uma personagem e o livro não é O livro, não é a Bíblia. As descrições são soberbas, a intensidade do coito de Caim com as mulheres é de uma pujança incrível. O ódio de Caim algo que definiria por belo, pois lhe dá um significado, uma coragem e uma missão. No final o autor Homem cala o personagem Deus, expiando o seu Grande Pecado.



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Significados roubados

Entre os motivos que me questiono mentalmente e que valeriam o esforço de algumas linhas aqui, existem dois que destacaria, o significado de tudo que me assombra faz imenso tempo e que resposta dar...

A resposta foi "pedida" faz dois dias e dois dias foi o tempo necessário para encontrar o seu paradeiro. Demorou este tempo porque estava muito absorto com a primeira questão, que nem me apercebi que uma poderia ser a Pedra de Roseta da outra...

Por vezes procuramos signficados em músicas, livros, estórias de pessoas, filmes... Algo que nos faça sentir mais próximos, mais humanos. Dar um rosto ao nosso Deus, ou melhor, dar feições ao nosso Demónio que nos corrói ou nos enche de alegria.

Assustei-me, não porque não entenda a tua perspectiva, porque entendo; mas porque não te consigo dar uma perspectiva melhor... Pedes-me para te dizer o que vejo para lá do horizonte quando tu vais num ponto mais elevado da escalada. O significado que pretendeste partilhar, eu vou roubar, a perspectiva nova que me pedes eu te devolvo, até que nova seja minha.

Desculpa a "exposição do saque", é a melhor resposta que encontrei para ti, para mim... Certamente lerás as tuas palavras pela mão que não é a tua, a mão não importa quando duas mentes se sintonizam. É contigo identificares-te ou não. Procura o teu local no mundo e chama-me...



"Só quero partilhar um pensamento:

Quanto mais o tempo passa por mim, ou eu por ele :), acho que nós é que escolhemos o nosso par, independentemente de ser a nossa alma gémea (almas que foram feitas no mesmo tempo e matéria cósmicas, uma altura li algo interessante e acima de tudo bonito sobre isto). Acho que não é tanto por encontrarmos o par certo, mas mais por estarmos prontos para isso.

De certeza que já cruzamos com pessoas, com as quais podiamos partilhar uma vida e sermos muito felizes juntos na nossa caminhada a dois ...

Mas o facto de ainda não estarmos preparados para isso é que nos fez não escolher essa pessoa!

As relações podem funcionar bem, melhor, muito bem quando duas pessoas estão de facto preparadas para a caminhada a dois.

Às vezes acho que temos medo de encontrar a pessoa certa, ou de ver uma ou a pessoa certa e não sabermos muito bem o que fazer ... parece que a ideia que criamos à volta desse encontro é mais enriquecedor, mais emocionante do que propriamente a vida a viver.

Muitas vezes ansiamos e desejamos muitas coisas, desde crianças, criamos expectativas tais dentro de nós, mas quando conquistamos o que desejamos prendemos a emoção e controlamo-nos de tal ordem que tudo parece normal e natural, em vez de a deixarmos entranhar no corpo, na alma e ou explodir.

Não sei bem se é isso que acontece quando encontramos alguém que por momentos nos enche as medidas. Mas de uma coisa tenho quase certeza valorizamos muito mais aquilo que nos separa (como confirmação de que não fomos feitos um para o outro) do que aquilo que nos aproxima!

Damos demasiado enfase à expectativa (pelo menos eu tenho esse defeito, espero sempre demais dos outros e de mim tb, crio expectativas quase irrealistas, mas tenho feito um esforço muito grande para contrariar essa tendência) enquanto anestesiamos a vivência.

Fiz o exercício contrário com, tu sabes com quem, e a verdade é que o escolhi para viver ao meu lado, bem ele é que não fez o mesmo, problemas técnicos :)

Mas onde eu quero chegar é que consegui enfatizar muitas vivências com ele, apesar de não corresponderem com as expectativas, consegui ultrapassar isso e sentir o extase da emoção das pequenas partilhas. O dormir lado a lado, comer, vestir, nadar, viajar, dançar em conjunto ... Queria sentir isso e senti, não anestesiei. Queria saber o que era viver com alguém a considerá-lo o homem da minha vida e isso foi deveras bom, por isso fiquei muito revoltada e inconsolável quando cheguei ao meu limite e não consegui mais fingir que ele sentia o mesmo. Pena ele não estar no mesmo grau que eu!

Acho que o sonho está dentro de nós assim como a coragem e a ousadia de o viver .. acho bem mais fácil encontrar alguém especial com que se queira estar a vida toda, do que parece, acho que as pessoas estragam o que podia ser fantástico e mágico. Tive sempre magia na minha vida sempre que me atrevi a vê-la ... o que foi o nosso encontro ... a primeira vez que nos vimos senão magia!

Sempre que ousei sonhar e lutei por um sonho consegui concretizá-lo!

No que toca a vida a dois acho que se complica o que é simples, desperdiça-se felicidade com ambas as mãos!

Acho que és a pessoa certa para compreenderes isto que escrevi e a indicada para me demonstrares uma nova perspectiva sobre o assunto!"