Perdido sem sair do sítio... Vazio sem espaço para mais nada...
Que silêncio atordoador este. A necessidade, este desejo, esta vontade... Sucumbo atordoado por espasmos incapacitantes.
Dou as coisas como não minhas. Questiono-me, poderia eu ter dado o que nunca foi meu para possuir?! Agora que fiz ter dado, com nada fiquei! E agora?!
Que teimosia, as ideias, a dança dos dedos primindo os botões pelos quais jorram letras nesta tela tal qual magia; a ânsia que fazia com que a sombra dos pensamentos corresse mais rápida que a verbalização das ideias; a dissipação da energia acumulada... Onde, onde está tudo isso?!
Nada, nada; o que resta nada... E o nada é tudo o que me resta!
sexta-feira, 15 de março de 2013
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
A gaiola
Estranha inquietação que me tranquiliza.
Sinto-me livre apenas porque não vejo para lá dos muros da opressão.
Oh sol que nasces, diz-me o que viste do outro lado do mundo onde acabas de morrer!
Encosto-me bem no extremo, tanto que a minha distância focal não é limitada pelas grades, e vejo, vejo com os olhos fechados e o frio do metal no meu rosto.
Hoje é um dia bom, o meu dono limpou-me a gaiola.
Sonho fechado e não acordo quando a porta se abre. Teimosia sonolenta que não me deixa despertar, que não me faz parar de sonhar. Parar não quero, mas sonhar não é uma condição de posse, apenas de cobardia.
Já me disse que bem isto me sabe?! Porque parei?! Sinto-me tão bem... Abro os olhos, afasto o rosto e adormeço. Oh sol que morres vai ao outro lado do mundo e trás-me algo quando nasceres novamente perante os meus olhos fechados.
O que há para lá do mundo da opressão? Familiar harmonia que me destabiliza...
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Sem chama
Feliz eu não sou. Sinto-me indecifrável, insondável na minha exposição aos sentidos. Só despropósitos, deixando-me apoderar pela raiva. Ela, a raiva, toma conta de mim, a vista fica toldada, sufoco de angústia.
Vivo pela promessa de vida. O tempo escoa e nada fica por sonhar, tudo fica por viver. Mas que porra, que porra.
Se ao menos contasse para algo, se ao menos esta adolescência de sentidos me trouxer um amadurecimento; se ao menos eu não me tornar como tu... Poderei odiar o que não sou, estando-me a tornar naquilo que quero ser?!
Sinto-me perto do horror que me foi previamente anunciado... É isto DB?! É isto?! É por aqui?! Abrace-me com esses braços torturados pela idade, com a força que só a experiência de uma vida transporta. Simplesmente abrace-me, entregando-me ao destino por detrás da cortina que abriu, para um palco que não desejei atuar...
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Do nada
Porque querer ser tudo quando já temos o nada?!
Sim estou, estou feliz!
Surgiu do nada. Estou feliz. Do nada...
Nunca fui mais do que sou agora,
Mesmo nada mais.
Perdigotos de palavras desconexas.
Escrita que desata nós na mente,
Permitindo respirar um cérebro em morte social.
Não quero ser nada,
Quero ser vazio,
Não quero sentir nada.
Tudo é infelicidade
Nada não é tudo
Se feliz estou
Não sou tudo
Mas não sou nada.
Merda para isto que persigo algo que não alcanço e está ali, mesmo ali tão perto...
Sim estou, estou feliz!
Surgiu do nada. Estou feliz. Do nada...
Nunca fui mais do que sou agora,
Mesmo nada mais.
Perdigotos de palavras desconexas.
Escrita que desata nós na mente,
Permitindo respirar um cérebro em morte social.
Não quero ser nada,
Quero ser vazio,
Não quero sentir nada.
Tudo é infelicidade
Nada não é tudo
Se feliz estou
Não sou tudo
Mas não sou nada.
Merda para isto que persigo algo que não alcanço e está ali, mesmo ali tão perto...
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Pensamentos Outonais
Eis que ali estou na partilha de um diálogo de silêncio. Ele nada diz, eu nada ouço! A simplicidade do silêncio imediatamente é perturbada pelo arrojar de pensamentos complexos. A protagonista da distração, essa desviadora, a alegria ingénua da brincadeira três adolescentes, sem lugar para mais um, sem lugar para mim.
Estico as pernas numa posição mais confortável, bebo mais um trago de cerveja, elevo o olhar e antecipo a quedas das folhas que parecem pacificamente manifestar-se pela mão do vento e... E sinto-me percorrer memórias! Já não somos mas éramos. Éramos para sermos mais, mais nós mesmos, numa alegria de insensata simplicidade. O que aconteceu então?!
Aconteceu que crescemos, crescemos e não demos contas. As folhas sou eu, o vento os adolescentes. Está por dias, por dias e o meu ciclo terminará, tal como as folhas eu cairei... Queria recomeçar tudo e poder dizer-me que o meu tempo, o melhor até à data pelo menos, é aquele e nele poderia ficar sem mais desejar.
Do passado passei para o futuro, sem me dar conta do meu presente. É isso, é mesmo isso, eu não cresci, vivo fora de tempo. Refugio-me dos problemas, quando não tenho nenhum. Não tenho problemas, tenho apenas preocupações. O problema verdadeiro é a forma como lido com as preocupações...
Retraio as pernas, mais um trago de cerveja, prendo os olhos e a mente. Num gesto involuntário inicio nova conversa e um calor de Outono invade-me. Ele diz pouco, mas eu ouço tanto!
Caminhando uma ligeira resistência debaixo dos pés, emoldurada por um som facilmente confundível com agonia, apercebo-me que calco folhas caídas. Penso por elas, tudo recomeçará a primavera regressará e o tempo será novamente vosso. A minha primavera ainda não terminou e só tenho que me forçar a recordar isso todos os dias.
Quando me pisarem estarão a dizer-me que haverá um recomeço!
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Desilusão
Desilusão, que poderosa palavra esta e que avassaladores os sentimentos que desperta.
Reviro-me, contorço-me, extasio-me, enfureço-me! Curiosamente não me questiono, porque sei, sei que é essa a natureza humana. Agora sinto-me, agora tiro os tranquilizantes sociológicos, agora sim, agora abraço a causa do genocídio, porque reles são todos eles, imerecedores, ingratos!
A fúria passa, sinto-me pequeno, invadido por um sentimento de impotência, desespero e solidão. Mas porra porquê?! Os porquês depressa me invadem.
Encontro descanso na insónia, alimento na fome e equilíbrio na adrenalina!
Não deixo ideias por concluir e tudo exclamo. As interrogações, o ódio! Foda-se para todos vocês, nas certezas dadas encontraram as fragilidades, no apoio a camuflagem, no respeito a oportunidade, na frontalidade a mentira... Já não consigo exclamar!
Filhos da puta daqueles que me querem obrigar a ser o que sou!!!...
Reviro-me, contorço-me, extasio-me, enfureço-me! Curiosamente não me questiono, porque sei, sei que é essa a natureza humana. Agora sinto-me, agora tiro os tranquilizantes sociológicos, agora sim, agora abraço a causa do genocídio, porque reles são todos eles, imerecedores, ingratos!
A fúria passa, sinto-me pequeno, invadido por um sentimento de impotência, desespero e solidão. Mas porra porquê?! Os porquês depressa me invadem.
Encontro descanso na insónia, alimento na fome e equilíbrio na adrenalina!
Não deixo ideias por concluir e tudo exclamo. As interrogações, o ódio! Foda-se para todos vocês, nas certezas dadas encontraram as fragilidades, no apoio a camuflagem, no respeito a oportunidade, na frontalidade a mentira... Já não consigo exclamar!
Filhos da puta daqueles que me querem obrigar a ser o que sou!!!...
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Sentimento
Sentimento é uma plasticina que moldamos para a forma como queremos que os outros o percepcionem.
Não deixa de ser o que é, mas nunca é o que dizem ver.
Bastaria que deformassem os vícios de interpretação e a plasticina tomaria o verdadeiro sentimento, sentimento esse que busco esconder!
Que bem escondi ele está...
Não deixa de ser o que é, mas nunca é o que dizem ver.
Bastaria que deformassem os vícios de interpretação e a plasticina tomaria o verdadeiro sentimento, sentimento esse que busco esconder!
Que bem escondi ele está...
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