quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O Engenheiro

Na minha mente deambulam temas que orbitam em meu redor. Sei exactamente quais e salto impelido pela inspiração tentando agarrar algum, quando na maior parte das vezes, abro demoradamente a mão para encontrar o nada. Nunca deixei que a frustação de mim tomasse posse e encaro com absoluta tranquilidade, sendo esta goose chase coroada com uma musculatura das pernas, que em tempo me permitirá saltar bem mais alto e encontrar o meu tema.

Sinto-me no entanto em dívida para com uma personagem que me marcou durante um ano e meio. Devotei a essa personalidade um zelo tal que não me permitiu em algum momento esboçar um reconhecimento ao significado que transmitiu às minhas ideias e ao percurso que sei pretendo trilhar. Atabalhoadamente, no dia da despedida usurpei alguns minutos da sua atenção para tentar sublinhar o reconhecimento para com ele.

O Engenheiro, homem da velha guarda, no topo dos seus 74 anos puxa do seu curriculo de uma forma brilhante e ajustada, encontrando paralelo no seu passado, quaisquer situações do presente. Vida repleta de intensidade, emoções vividas no momento certo, assenta arraiais em diversos países mas é de África que guarda no melhor dos frascos de memória, os cheiros e cores.

Impulsivo, coerente, digno... forço-me a parar o elogio fácil, preferia abordar porém os defeitos que os tem, mas de que me valeria se nem sombra trazem à figura de quem, pouco ardilosamente tento representar. Vários "filmes" do seu passado revive com alegria, ao mesmo tempo que os vivo como se meus fossem.

Na sua figura de avozinho, consegue fazer baixar a guarda aos seus interlocutores para depois surgir transfigurado qual Adamastor e semear as sementes que trarão os frutos que deseja. Assim me abordou quando me conheceu e soube tecer uma teia pacientemente até me ter na sua equipa. Hoje entendo a imensa honra que foi ter sido escolhido, quando sempre me habituei a escolher.

Memória prodigiosa, rigor épico, disciplina segura... Pulando o muro com que separa as vidas, do outro lado surge um homem casado com uma pessoa falecida; não conhece o significado da palavra viuvez. Homem que redescobriu a paternidade há meia dúzia de anos atrás, com um míudo de 31 anos, curiosamente a mesma idade que eu. Tive a sorte de me sentir o filho deste lado do muro, quando do outro existia um míudo com amputação de um cromossoma. Quero acreditar que o paralelo termina no muro, mas de certo o Engenheiro algo mais viu para além deste paralelo.

Guardo como minhas as últimas palavras que me endereçou, quando me interrompeu na justa homenagem que lhe pretendi prestar. Por essas palavras modelo a peça de barro que tenho nas minhas mãos, como aprendiz de oleiro, tive as mãos do mestre sobre as minhas. Transmitiu-me o que achou que devia transmitir e deixou-me. Agora sei que tenho o que preciso e da peça final espero que resulte uma vida para contar não só profissional mas também no plano pessoal. Obrigado Engenheiro...

Pela primeira vez regresso a um texto porque a reticência tem de passar a ponto final. O Engenheiro cinco meses após os nossos caminhos se terem separado, surpreendeu-me e encheu-me o orgulho como só um pai consegue. Parte dos seus instrumentos que o classificavam de Engenheiro, deixou-os para mim, para mim. As instruções foram claras: quando chegar o momento, isto será dele.

Por isso me sentia pressionado a escrever, por isso... Duas semanas após tenho a minha resposta, melhor que o dia que recebi o meu diploma e ponto final.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Arca do Tesouro III


Devia-o, devia a mim mesmo. Iria jurar que havia lido algo do Poeta, olvidando-me qual a peça da sua obra. Juraria mas atraiçoa-me a memória. Poeta maior da Terra que não me tendo visto nascer, me viu crescer e na sua parte me fez crescer. Espacei o tempo da visita física ao lar que o viu crescer e morrer, à visita à parte da alma que escolheu mostrar. Atraiçoado e em dívida início este caminho obrigatório numa antologia que me irá "seduzir e conquistar" na causa Regiana.
Diz o homem de si:
"Poeta sou! cumpro o meu Fado, estranho
Como o dum santo ou um louco
Só posso dar de mais ou muito pouco
Que é tudo quanto tenho"

Como poeta divide o narcisismo da certeza de possuir um grande dom expressivo, com a fragilidade humana em que "as suas virtualidades ultrapassarem sempre as suas realizações". Posso julgar entender, como um filho segura a mão forte de um pai e lhe pede que conduza, com a certeza de abraçar Deus. Neste prazer "recente" da poesia, julgo ter descoberto um alma mater de uma técnica elegante, com arrebatadores e extraordinários excertos de alma, conciliados entre o divino e o profano, o altismo e a fragilidade, emprestando ao objecto da sua escrita uma ingenuidade intemporal.

Um sublinhado para o poema "Romance de Vila do Conde"...


Hemorragia de palavras organizadas em pensamentos vagos de uma diarreia indistinta, do alimento que implicou tal resultado. Fácil encostar o livro e agarrar o Sudoku na viagem à Bavaria. Ficou antes da metade...

sábado, 5 de dezembro de 2009

Perdido Algures

O que faço?
Como estou aqui?
Onde estou?
Que me aconteceu?
Se eu sou eu,
Porque está o meu corpo assim?

Não posso estar na casa de um estranho
Não posso possuir bens que não são meus
Não tenho idade para ter carta
Não tenho idade para trabalhar
Não tenho idade para barba
Não não não não não não...

Viajaste, casaste, divorciaste-te
Sofreste, fizeste sofrer
Desiludiste, foste desiludido
Foste amado, amas
Odeias, odeiam-te
E os meus sonhos?

Os meus sonhos, que é feito deles?
Porque desistimos tão cedo deles?
Os teus filhos, sim os teus filhos?
De que forma mudaste o mundo?
Porque não fizeste o que queria?
Qual é a tua desculpa, diz-me?

O fracasso é teu não meu
Quero voltar, quero ser tímido
Quero acreditar, quero sonhar
Quero ser quem era, quem sou
Quero ser a criança que sou
Desculpa-me...



Alguém ajude ao encontro!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

EUtopia

Actos quotidianos são frequentemente acompanhados pela banda sonora perfeita. A mesma química associo ao meu livro de viagem que me acompanhou nestas últimas quatro noites. O livro, Um km de cada vez de Gonçalo Cadilhe, a viagem, Wroclaw na Polónia.



"Mas não te apresses nunca na viagem. / É melhor que ela dure muitos anos / Que sejas velho já ao ancorar na ilha / rico do que foi teu pelo caminho / e sem esperar que Ítaca te dê riquezas . / Ítaca deu-te essa viagem esplêndida (...)" (Ítaca, poema de Kavafis)

Gonçalo Cadilhe é uma descoberta pessoal com pouco mais de 1,5 anos. É com paixão, admiração, respeito e acima de tudo inveja que li cada um dos seus livros, tendo tido a oportunidade de conhecer o seu mundo, ou melhor o mundo pelos seus olhos. Preencheu um espaço na minha imaginação e tem em cada um dos seus livros fornecido combustível que reúno cuidadosamente  para um dia iniciar a minha própria utopia, a EUtopia.

Sentir-me-ia defraudado neste livro não fosse a explicação inicial do autor. Guardo como meus os motivos e parto para a descrição da minha viagem usando algumas pontes comuns usadas pelo Cadilhe. "Não quer viajar, quer apenas chegar".  "O sedentário está perdido porque tem um destino que não encontra. O nómada não procura, encontra-se no próprio acto de viajar". Nestas frases encontro o mote da minha viagem. Parti, parto sempre para chegar, mas com a esperança de me encontrar, fugindo para isso do que tento deixar para trás.

Cadilhe (GC) tem uma postura pessoal muito própria. Defende o que parecem lugares comuns, sendo no entanto autêntico e genuíno numa coerência única. Foi por ele que encontrei a melhor definição de turista em oposição a viajante. Partilho em princípio, os mesmos valores que ele defende. Como referi atrás, vou mostrar a minha viagem como se de uma estória do livro se tratasse, fazendo a minha leitura muito própria sobre ideologia do GC e os ensaios para a EUtopia.

O avião a forma mais rápida de lá chegarmos e por definição para (GC) não é viajar, porque perdemos tudo o que Ítaca dizia; para mim serve. Viajei sozinho numa forma egoísta de me por à prova, mas com rede de segurança uma vez que tinha amigos no destino. Viajar sozinho é aliciante não podemos contar com ninguém, dá-nos liberdade, obriga-nos a estar atentos, em constante estado de concentração. Inevitável o uso da linguagem gestual como meio essencial de comunicação quando falha o inglês, espanhol e até mesmo francês, seja para pedir indicações, informações sobre transportes públicos, horários de monumentos, descrição da comida no restaurante...

Viajei sozinho, cheguei ao aeroporto encontro taxista com inglês perfeito e cultura acima da média para os patamares europeus, sucedendo-se um diálogo muito interessante durante a hora de viagem até ao meu destino, que nem consigo ler na sms que mostro ao taxista. Resolvo arriscar e aceito marcação de estadia numa residência de estudantes, com a garantia de casa de banho e quarto individual. Convenço-me que sai mais barato e é uma forma de estar mais próximo da "viagem". Levo com um grego gay, num quarto onde a minha cama não caberia, sujo e onde abundam cheiros nauseabundos. Dou por mim em seguida num Hostel, ainda sem casa de banho privativa, mas com um quarto individual pequeno, mas ausente de cheiros e mais importante sem qualquer cavalo de troia que me possa atacar durante a noite. Na manhã seguinte acordo e digo que vou saltar mais uns km na "viagem", vou para um hotel com todas as comodidades.

Percorri a cidade toda, mochileiro genuino vergado ao peso nas costas onde vão o portátil, máquina fotográfica, mapas, livro, mp4, chocolates, ou seja, tudo o que um mochileiro júnior necessita. Percorro todos os locais do mapa triunfalmente e entre também nas zonas menos turísticas. Sinto o pulsar da cidade e das suas gentes. Dica, na Polónia os museus e monumentos só estão abertos de Quarta-feira a Sábado. A cidade é limpa, organizada, sem sinais do comunismo, o que aliás encaixa perfeitamente na espécie de amnésia colectiva dos polacos, parecendo que nunca foi um país comunista. Pelo que vi e conversei, são um povo desprovido de identidade pessoal, quer ao nível musical, gastronómico, arquitectónico, dividindos entre uma postura russa mas com filosofia alemã. Não primam pela simpatia mas são bastante disponíveis à abordagem sendo o domínio da língua inglesa apenas para alguns e de faixa etária baixa.



Um pouco por toda a cidade reconhece-se cicatrizes da Segunda Grande Guerra Mundial. Curiosos os pequenos duendes de bronze colocados estrategicamente em pontos chave da cidade, às centenas como medida moralizadora pelo que apurei. De facto funciona e parece alegrar os Polacos, para além que acresce de interesse a minha prospecção ocular em cada local a que vou, no sentido de capturar mais um desses divertidos seres em fotografia.



É uma cidade voltada essencialmente para a vida estudantil tendo inúmeras faculdades e estudantes estrangeiros, com forte presença latina. Como tal a diversão nocturna é forte, com música actual. A moeda Polaca o Zloty, só em 4 unidades iguala o Euro, tornando a vida mais barata em relação aos níveis portugueses sendo que apenas em vestuário e tecnologia a diferença é pouca ou nula.

De dia sozinho, de noite puxava a rede de segurança e encontrava-me com os meus amigos. Muito mais haveria a falar, condições metereológicas, locais visitados entre outros. Não era isso que me propus e retomo os passo que escolhi trilhar nestas linhas. O meu corpo pagou a minha ousadia de km sem fim, mal alimentados, com demasiado peso e sinto dores latejantes nas pernas. Revogo o meu plano final de passar uma noite em Barcelona e salto mais uns km na minha "viagem". Booking online e escolho o melhor hotel que encontro junto ao aeroporto, com SPA, e tudo o que um 4 estrelas da Europa Ocidental oferece, não olho a custos, estou em dívida para com o meu corpo. É do quatro estrelas que escrevo estas linhas.


Acordei, perguntei ao organismo como estava, avaliei a possibilidade e dei por mim no autocarro a caminho de Girona. Valeu a pena Girona é uma cidade lindíssima com passado, identidade e uma rica história arquitectónica. Aconselho vivamente uma viagem para a conhecer, nas suas muralhas, inúmeros monumentos barrocos, ruínas romanas e indícios de presença árabe. Lá em cima as muralhas, cá em baixo o rio. O mochileiro júnior, qual obra do destino encontra o mapa da cidade no chão e inicia a caça dos tesouros. Foi uma forma de recuperar alguns dos km perdidos da "viagem".

Pouco mais merece o meu esforço em decifrar. Ainda não sinto o desejo de chegar e avaliando sei que saltei imensos km nesta "viagem", se calhar não estou ainda preparado para a EUtopia; ou se calhar é mesmo esta a minha EUtopia.

Senti-me em breves trechos fugir, fugi sem me encontrar talvez por isso mesmo tenha conseguido fugir. Foi este o meu "livro de viagem", resume-se a este desejo de fuga.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Suspiros Improváveis

Sinto-me fugir
Sem nunca sair do sítio
Se me afasto cada vez mais
Porque não fujo?

Fugir correndo em direcção do nada
O nada é tudo o que me persegue
Vão pernas, fujam
Levem-nos daqui
Mas não por aí
Aí está aquilo que nos persegue
Aquilo, aquele... sou eu
Não nos entendem?
Fujam, levem-me convosco
Fujam, fujam de mim.
Prosto-me na inércia
De uma fuga sem fim.

Não abro a boca
Não quero, não preciso, não anseio
Abro os ouvidos, sim anseio, sim quero
Sou estrangeiro mudo, um entre iguais
Porque me sinto então desigual?
Nem aqui, nem algures
Imagens que me roubam imagens
Sonos que me roubam sons
Tudo destruo à ínfima partícula
Tal como mercúrio se agrega
Ganhando forma, a forma dela
De forma audível e bem visível.
Fujo...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Vampiro de Emoções

Contorço-me no meu caixão quando uma cama me bastaria. Fujo da luz do sol, quando o sol é uma impotência, não a mas uma. Não sou fraco, não sou forte, mas preciso de algo que não é meu, para me manter afastado do fraco, nunca atingindo o forte.
Ser ignóbil, predador insaciável, caçador… É sobrevivência, é a verdade, é a justificação, é tudo e ao mesmo tempo não é nada, porque não preenche o vazio, não justifica a traição da minha humanidade.

Passeio-me entre os vivos,
Mas é morto que me sinto.
Sinto o que não entendo
e
Se não entendo como sei o que sinto?!
Se choro, se rio, se fico apático
Se faço chorar, se faço rir, se levo à apatia…

Busquei incessantemente em mim, busquei noutras coisas. Viajei, li, experimentei prazeres, provei dores, fiz tudo fingindo que vivi e… E olho para o meu lado e não entendo o que é aquele sorriso, o que é aquele desprendimento da razão, o que é afinal aquilo, aquela pessoa, o que faz aquilo naquela pessoa, e na outra, e naquela, e em nesta, e em todas. Em todas não, porque eu pela oposição do sim permaneço neutro.

Acerco-me, conheço, furtivamente teço uma estratégia, entro na mente… Conquisto, experimento, tenho a mente aberta à minha frente, simulo situações, estimulo tristeza, promovo felicidade, luxúria, gula, avidez e qualquer outro pecado capital; faço-o e observo a emoção que dali surge e como deve surgir. Canso-me daquela mente, fecho a pessoa e desfaço-me dela.

Por imitação vivo fingindo viver, apenas imitando as reacções que observara antes. Esgota-se a energia roubada e sem apelo vence a instinto de sobrevivência, nova vítima…

Porque me tiraram da minha gruta? Porque insistem em me chamar? Espetem-me uma estaca no coração, porque não será em mim que espetarão, procurem quem dele me roubou e desfaçam-no, não à pessoa que mais não foi como vítima, mas a ele, a ele coração e que com ele eu me esfume.

My place is rigth by your side... I don't belong any where! Where are you Gollum?


sábado, 28 de novembro de 2009

Arca do Tesouro II

"Antes de nos Encontrarmos"

O título seduziu e levou-me abraçar o desejo de espiar cada uma daquelas páginas e sugar algo que pudesse tomar como meu, acendendo a luz da esperança que ameaça sucumbir.


Estória, ou melhor dizendo estórias, bastante adensadas. Uma construção única de personagens que dificulta ao início a percepção de quem será transportado para o círculo central do protagonismo, tecendo um enredo que sufoca na curiosidade. Ousadamente a autora lança-se na descrição de vidas em horizontes culturais, geográficos e temporais extremos, tornando-se torturoso adivinhar de que forma poderão , dois caminhos cruzarem-se.

Duzentas páginas para completar esse desafio. Dois terços de livro, em exercícios de descrição extenuante das personagens e da construção da personalidade das mesmas. "Um livro intenso, envolvente... que me manteve acordado noite fora, incapaz de o fechar." Ditos de uma crítica que agora me permiti agora confrontar pela monotomia de um desejo que tardava realizar.

Voltando ao número de páginas e à autora, duzentas foram as páginas que precisou para desenvolver uma visão única, que apenas uma mulher consegue. Julga ter identificado as suas duas personagens e dedicado igual proporção da sua arte a ambas, quando do elemento feminino foi o absoluto domínio; facto que só um homem consegue entender...

Novamente, as duzentas páginas, após este número e a um número diferente do fim, cento e dez, começo atingir o meu objectivo. Duas pessoas com percursos diferentes, passados improváveis, buscam um refúgio, um para fugir do presente e outro para buscar o passado. Desenrola-se uma apaixonada estória de conquista humana genuina, pautada de rituais orquestrados que me fazem pular, sorrir, desejar chorar... Reconheço-me na perfeição, sou eu, não sei como aconteceu mas fui lançado para o centro do círculo.

É aquela a minha forma de ser e estar, de desejar. Não sou um mas sou os dois, fujo do presente e busco o passado. Estou esgotado mas num estado de êxtase de quem atinge o seu objectivo; revejo a crítica, entendo-a agora. Autora, mulher, homem?! Não sei, não é de mulher, não é de homem, é de algo ou alguém de quem necessitava ler.

Caio em mim, estou amedrontado, não quero continuar. Impelido pelo pânico encerro o livro esquecendo para trás dois dedos, que teimosamente ficam pelo livro. Ou será que lá ficaram por algum motivo?! Pego na caneta, uso o papel e escrevo o meu final, sem adensamento, sem reboscar. O meu presente, bem como o meu passado, comprometem o meu futuro. Pouso a caneta, largo o papel, esqueço o meu desejo, saio do centro do círculo e deixo que Stella e Jake tenham a hipótese de ter algo que julgo nunca vir a ter...

Os dedos tinham razão...

P.S.: Um grande bem haja à Vizinha Bibliotecária que é incansável em me satisfazer os caprichos, em me encontrar exemplares e mais difícil, dar-me o que preciso ainda que eu não o saiba. Alimentas-me a alma e não fazes pergunta alguma...