É agora, pouco falta. Pouco falta quando muita gente julgou saber nada faltar. Vim sozinho e 33 anos depois sozinho estou. Era sem Facebook, sms, chamadas telemóvel. Era, era sim agora sou tudo isso, mas agora não tenho nada e nada são 33 anos após em que me expulsavam do meio que conhecera durante 9 meses e que acolheram as minhas primeiras células, traçando o resquício do que fui para ser.
Passados e presentes, futuros quem sabe. Até alguns que não sendo passado, não estando no presente, não sei que papel me esperam no futuro. Estranho é que o que me consome as células nervosas, este bilhete para uma viagem de abstracção quase completa, me tenha sido presenteado por quem passou onde eu passei e cujo sangue me diz: Irmãos. Irmãos depois, porque agora 33 anos atrás era só sozinho.
Não me sinta só, não me sinta pretensioso. Sinto-me sim enjaulado neste colete de forças que me trespassa a fúria de fuga.Sei que a idade não legitima nada, apenas desculpa. Sei que necessito de metade da arrogância e o dobro da humildade.
Humildade me foda e arrogância me coroe, mas foda-se vim só e só irei.
Parabéns Joel, parabéns.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
Tempo de pensar
Quando a sombra é mais genuína que eu, que mais poderei ser, que uma escassez de ideias encerrada num despropósito de existência?!
O ruído que me rodeia impossibilita que pare, que ouça, que veja, que me oriente. Não sei pelo que estou, para onde vou. Tenho de parar, tenho de não escutar, não falar. Simplesmente tenho de não ser, para poder voltar a ser algo.
É no vazio que posso distinguir as cores, as formas. É na ausência de forma que as ideias tomam mais dimensão. Perdi o caminho, perco o caminho. Perdi noção da materialidade do que realmente interessa, perco o interesse no que me deveria cativar.
O tempo passa sem perdão como areia pelos dedos da minha mão aberta. "Logo... Logo não, amanhã. Amanhã de certeza... Se não amanhã, para semana não passa!" Com este holograma de decisão adio o que tem de ser feito. Tenho, preciso, é urgente. É urgente, preciso e tenho de parar. Parar para pensar.
Simplesmente parar, limpar a mente, sentir o presente sem compromisso. Sentir o sol no rosto, a harmonia sonora do crepitar das ondas na areia, a textura da maresia na boca... Os olhos, esses não perscrutam nada, não são portas de entrada mas sim de saída. A boca é a mais activa mas inaudível.
Pensar é meditar, abstrair de tudo, ser impune em pensamento, não ser regido por leis da moralidade, da física, nem por quaisquer ditames humanos. É conjugar o presente com um convite para o passado se juntar, para que juntos nos seja mostrado o melhor futuro.
É tempo de pensar, tenho de pensar, tenho de parar...
Depois poderei questionar: "Agora sei onde estou, mas estarei onde julguei estar? Onde estarei depois?"
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Novo Ponto de Partida
O novo ponto de partida não é desafio. Como sempre não parto para chegar, mas chego para partir. Uma estória, um ponto, uma viagem empreendida vezes sem contas em espírito. Emprestasse-me a estória, sem preciosismos contidos em aspas e com o desprimor do encontro fortuito, numa qualquer corrente de emails de autoria desconhecida.
Em substância comparam-se três pilares da vida social do indivíduo. Um balde cheio com bolas de golfe, está mesmo cheio? Para alguns estará, mas facilmente se despeja areia que irá preencher o espaço deixado. Estará cheio aí? Entornando um café facilmente descobrimos que há sempre espaço para mais. Diz o autor, num jogo de simples analogias, o balde é a nossa vida e o que ela pode conter; as bolas a nossa família, o trabalho areia e o café a amizade. Se preenchermos a nossa vida com trabalho, não haverá espaço para nossa família e para os amigos há sempre tempo para um café...
Onde está a minha areia, onde estão as minhas bolas de golfe, porque não derramo o café? E mais importante, deverá ser esse o conteúdo da minha vida?
Viverei até quando? Até aos 74 talvez, se usar a estatística. Uma régua de 74 cm diz-me o que já sei mas que me dificulto entender. Em breve marcarei 33 cm nessa régua. Ao lado esquerdo do meu polegar esquerdo, o que eu já vivi, ao lado direito o direito que a estatística me dá de viver. Como aconteceu isto, como cheguei aqui?
Porque corro, porque anseio, porque desejo, porque me impaciento? Porque não solto o grito, porque não dou o passo, porque não fecho os olhos e tapo os ouvidos e digo BASTA! Basta de ser eu que sou agora, para ser o eu que quero ser... E corro, corro, corro, porque mesmo sabendo que não venço o fim da régua, basta saber que correrei mais depressa do eu que sou agora... Mas são voltas e voltas e voltas e mais voltas ao tempo!
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Meditação num trajecto
Sou assaltado por futilidades, só porque sou feliz.
Percorro o caminho de todos os dias. O dia escurece, deixando de o ser, para ser noite. Avizinho-me da placa que me recorda que passarei numa fronteira invisível e que me obrigará a pagar portagem. Barreira essa que tanto me exaltou num passado recente e agora apenas me origina um encolher de ombros e um breve suspirar. No mesmo horizonte de sempre, o avião prepara aterragem.
A estrada é a mesma, os caminhos cruzam-se em sentidos contrários. A solidão do carro é menor que a do avião. Desejo no entanto lá estar, só desejo lá estar, no avião, não no carro. Vou como não quero, no que não quero, no sentido inverso ao que quero, mas vou e sinto agora que sempre irei...
Prossigo no caminho que agora é meu e vejo as pessoas com que me cruzo. O carro que me ultrapassa, o carro que é ultrapassado. A pessoa sozinha, a pessoa acompanhada. Homens, mulheres, portugueses ou espanhóis. A regressar do trabalho, em trabalho, ou em lazer. Todos eles se cruzam com o destino que é o deles. Não o queria por não ser o meu, mas queria viver em alguns desses destinos, para apagar esta inquietação que sempre me assalta, pois no olhar deles não vejo os aviões, mas a solidão de certo estará lá, só que eles não a vêem. Assim a sombra não vê a forma física que a origina, mas eu vejo a sombra!
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Onde está?
Escrevi uma mensagem que não era para ninguém, ou assim o faço na minha mente. A ser para alguém, seria para ti. Este dia é de solidão perante o mundo e tudo o que surge para além disso, é uma intrusão na intimidade desejada.
Digo perante a solidão, o que escondo da multidão: Sabes quando tens muito para dizer e ninguém para ouvir? Sabes quando achas que ninguém te é merecedor, porque no fundo ninguém te merece mesmo? No que julgas achar e onde estou agora, encontrarás algo que necessito. Preciso que entregues esse algo para que ilumine este caminho que percorro.
O que eu quero ninguém me pode dar, o que eu tenho, não é meu por não o desejar...
sábado, 27 de novembro de 2010
Ideias Soltas
O meu corpo pertence onde estou, a minha mente, essa pertence a lado nenhum. Nessa orfandade, no lugar onde deveriam existir as raízes da razão e existência, existe um leme que me leva a navegar sem rumo. A âncora aguarda o arremesso, no local onde o corpo e mente se reunirão novamente. Assim se explica esta dualidade!
"Onde está Deus, mesmo que não exista?"
Pela manha conheço o dia, pelo dia espero a noite. A noite espera por mim. Cansado de esperar para conhecer o verdadeiro eu..
O meu pai, o meu pai é a origem, o meu pai é o destino, o meu pai é a origem e o destino. Se não sou o meu pai, se não sou origem, se não sou destino, se não sei quem sou, então não sou para ser nada!
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
O prazo da fama
A fama não nos faz viver para sempre, apenas faz viver muito em pouco tempo, esvaziando de significado tudo o que resta, numa inconsequência de vida.
Intemporalidades subscritas pelas materialidades circunscritas a uma época, cultura e ideologia... Nada mais que isso!
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